domingo, 14 de outubro de 2012

O SONHO DE ALICE


Eu cresci criando ilusões, para esconder o escarnio de meu pai e a tristeza de minha mãe. A infância me trouxe a facilidade das palavras e a dificuldade de senti-las.
O tempo passou e já adulta ainda criava ilusões, pareciam ser elas, uma redoma onde eu me protegia do mundo e até de mim mesma; realidade significava dor, e eu não queria viver de dor.
Vivi o sonho de Alice...
Nada era real, os problemas que eu vivia, e como consequência o amor que sentia, nada era real; e como a vida não é ilusão, fez com que eu pagasse o preço...
A redoma se quebrou, a ilusão se foi. E meus olhos se abriram para a vida assim como a dor se abriu na minha própria carne;
Não havia como enfeitar, não havia como refazer, só havia o silêncio, o vazio....
Hoje vivo meus pedaços, um de cada vez, com intensidade, mas um de cada vez, para que assim eu não crie redomas, mas tenha fé, para que assim eu não crie ilusões, mas tenha paz.

CRIS FERREIRA 

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